
Escrita · 16 fev 2024
Vision Pro
Explorar a computação espacial
Neste momento, enquanto escrevo isto, estou a olhar para um lago em Mount Hood. Ouço pássaros ao longe e vejo o lago calmo, com pequenas ondas e alguma neblina lá ao fundo. Mas é tudo falso: estou sentado no nosso último andar, um quarto quase sem mobília, cheio de coisas de uma casa de família com dois filhos pequenos. Estou a usar o Vision Pro da Apple para descobrir o que a computação espacial pode ser. Estou rendido; deixa-me explicar neste artigo.


Apple Vision Pro
Imagina uns ótimos auscultadores para ouvir música, que te dão acesso privado a áudio de alta qualidade. O Apple Vision Pro é assim, mas para os olhos em vez dos ouvidos. Pões-no na cabeça como uns óculos de proteção e, lá dentro, vês um mundo digital a misturar-se com a tua realidade. Podes deixar entrar o mundo real lá fora ou filtrá-lo, tal como o cancelamento ativo de ruído faz com o áudio.

Graças a chips, sensores e câmaras muito avançados, o Apple Vision Pro consegue projetar objetos virtuais no teu mundo real e fixá-los num sítio, onde ficam durante o tempo que quiseres. Podes ver um filme num ecrã de cinema gigantesco ou mergulhar nas fotografias da tua família. Ou podes usar o Vision Pro para trabalhar, como eu faço, com uma janela onde escrevo o meu texto, mesmo à beira do lago de Mount Hood.
Há outros sites e blogues com análises muito detalhadas do Apple Vision Pro, sobre o hardware, as vantagens e as desvantagens. Recomendo que os vejas, porque não quero repetir o que os outros já escreveram ou disseram. Algumas análises que valem o teu tempo:
- Casey Neistat - The thing no one will say about Apple Vision Pro
- Nilay Patel - Apple Vision Pro review: magic, until it's not
- Om Malik - My 4 magic moments with Vision Pro

Computação espacial
Mais do que esta primeira geração de hardware, interessa-me o que a Apple mostra ao mundo com o software VisionOS. Não é só um projetor de luxo que se veste; é interativo! As câmaras no interior seguem a posição da tua íris, ou seja, o sítio exato para onde estás a olhar. Esta informação serve para interagires com o mundo digital só por olhares para as coisas. Um toque subtil com os dedos é registado por outro conjunto de câmaras, e tudo se junta numa experiência em que “olhas e tocas”, como antes fazias “apontar e clicar” ou “tocar e deslizar”.
Este modelo de interação fundamental está muito bem feito; ao fim de alguns minutos parece totalmente natural, e desde então pergunto-me porque é que o meu iPhone ou iPad não respondem da mesma maneira. É a magia clássica da Apple: o trabalho pesado é todo feito sem me dar quase nenhum atrito. Simplesmente funciona.

Para conseguir trabalhar, liguei um teclado Bluetooth e um trackpad normais ao Vision Pro, aproveitando o facto de saber escrever sem olhar para o teclado; parece tudo muito natural. O Vision Pro não precisa de um computador; ele é o computador! Tem chips Apple Silicon bastante capazes e muito armazenamento interno (o meu tem 1 TB).

Se tens lido o meu blogue, sabes que eu tenho um fraco por tablets, porque são portáteis e, ainda assim, muito capazes. O Vision Pro pode ser mais um passo em frente: é muito portátil e, mesmo assim, oferece um mundo virtual inteiro aos teus olhos! É como poder levar comigo uma enorme configuração de vários monitores; é de loucos!





Misturar o mundo digital com o real é muito acessível e permite-te continuar atento ao que te rodeia. Gosto disso, porque te faz sentir um pouco menos “fechado dentro do computador”. Funciona bem em certas tarefas, como enviar uns e-mails, pesquisar qualquer coisa ou fazer uma chamada. A experiência muda um pouco se decidires mergulhar num dos ambientes virtuais do Vision Pro.
Há quem lhe chame “deep work”, o tipo de trabalho que exige concentração a sério. Acho o Vision Pro especialmente poderoso para me pôr no estado de fluxo de que preciso para o trabalho pesado. Posso mergulhar no contexto (imagens, registos, código, maquetes) e filtrar toda a confusão visual do mundo real.


Imagina umas janelas tão grandes que podes literalmente andar no meio delas. É assim que gosto das minhas configurações mais poderosas no Vision Pro. Quase te tornas um com o teu contexto, a sério. Podes criar um ambiente que te liga mesmo ao que estás a fazer. Adoro andar à volta das janelas, olhar para código ou para o output de um servidor e ter a sensação de estar perante uma “máquina grande e a trabalhar”. De certa forma, parece que estou numa grande sala de máquinas. Não tem nada que ver com uma experiência de secretária convencional.



Conclusão
Vou continuar a explorar, a aprender e a experimentar com o Vision Pro, mas já estou de queixo caído com a grandeza espacial de ver a terceira dimensão em digital. Parece muito natural, no mesmo sentido em que o ecrã tátil do primeiro iPhone me fazia rir sempre que eu deslizava o “deslizar para desbloquear”. Há aqui muito para desbloquear; vem juntar-te a mim nesta nova fronteira!
