
Escrita · 15 jul 2019
Monitores de frequência cardíaca óticos vs. de cinta torácica
Medir batimentos por minuto com sensores diferentes
Com os wearables, smartwatches e pulseiras de atividade modernos, medir a frequência cardíaca tornou-se fácil e comum. Mas há diferenças fundamentais entre os tipos de sensor. Alguns captam o sinal elétrico do coração, outros usam luz para analisar o sangue que corre nos teus vasos. Se te interessa medir a frequência cardíaca, convém perceber estas diferenças.
Medir a tua frequência cardíaca
Se quiseres medir a tua frequência cardíaca (FC), tens basicamente três opções:
- manualmente: põe o dedo num dos vasos sanguíneos maiores do corpo. Quando sentires o pulso, conta durante 10 segundos e multiplica por seis para obteres um valor de 'batimentos por minuto' (BPM).
- com um sensor de elétrodos: com dois ou mais elétrodos no corpo, este tipo de sensor capta a atividade elétrica do coração. É assim que funcionam os monitores cardíacos dos hospitais para fazer um eletrocardiograma (ou ECG). A maioria das cintas torácicas também funciona assim.
- com um sensor ótico: estes sensores têm pequenos LEDs na parte de baixo que projetam luz verde ou vermelha no pulso. Os diferentes comprimentos de onda interagem de forma diferente com o sangue que flui no pulso. O sensor analisa a luz refratada pelo sangue para fazer medições ou para criar um fotopletismograma (ou PPG). A maioria dos wearables, como smartwatches e pulseiras de atividade, funciona assim.
Sensores óticos vs. sensores de elétrodos
Os dois tipos de sensor usam sinais diferentes para medir a mesma coisa: a frequência cardíaca. Esta é uma diferença fundamental, porque afeta muito a comodidade, a precisão e a eficiência energética do sensor.
Sensor de elétrodos
Para captar a atividade elétrica do coração, este sensor precisa de contacto direto com o corpo, normalmente através de dois ou mais elétrodos. Num hospital ligam até doze, enquanto uma cinta torácica típica usa dois, colocados no corpo por uma cinta. Quando tem sinal, funciona com precisão e gasta pouca energia.


Sensor ótico
Um monitor ótico precisa de um emissor de luz (normalmente LEDs verdes ou vermelhos) e de um fotossensor para analisar a luz refratada pelo sangue em circulação. Estes dados são analisados e transformados em métricas como a frequência cardíaca. Como este tipo de sensor exige processamento e vários componentes, gasta normalmente mais energia do que um monitor de elétrodos. A luz exterior (como o sol forte) pode interferir na precisão se o sensor não estiver perfeitamente justo ao pulso.


Conclusão
Pela sua precisão, o sensor de elétrodos é usado habitualmente em hospitais e por atletas profissionais. A ligação elétrica direta ao corpo permite a monitorização em tempo real com pouca energia.
O sensor ótico não precisa de elétrodos nem de cintas para captar a atividade do teu coração. Pode funcionar num wearable ou smartwatch, diretamente no pulso. Isso permite-lhe medir a frequência cardíaca periodicamente, com conforto, o que é útil para uma monitorização de longa duração.

Se combinares os dois tipos de sensor, obténs informações interessantes e detalhadas sobre a atividade do teu coração. Usa uma cinta torácica, ligada diretamente, para captar um treino em pormenor, e um monitor ótico (num wearable ou smartwatch) para captar a recuperação nas horas a seguir ao treino. Fiz isto durante uma pedalada intensa à volta do Markermeer no início deste ano.
Os sensores óticos e os elétricos medem ambos a atividade do teu coração. No entanto, são fundamentalmente diferentes, por causa do sinal que usam para contar os batimentos por minuto. Se os combinares, podes tirar partido dos dois!