
Escrita · 19 out 2019
Voar num avião clássico C47-A (DC-3)
A bordo do dakota real PH-PBA, com 75 anos
Como prenda de anos maravilhosa, tive a honra de voar num avião clássico DC-3. Era o PH-PBA, com 75 anos, um C-47A Skytrain ou Dakota, que pertenceu ao príncipe Bernhard dos Países Baixos. É um avião muito especial, operado pelo pessoal entusiasta da Dutch Dakota Association (DDA Classic Airlines). Acompanha-me numa viagem pela história da aviação!
C-47A Skytrain
O C-47 é uma versão militar do Douglas DC-3 civil. Construído pelas maravilhosas mulheres conhecidas como «Rosie the Riveters», este C-47A Skytrain foi montado na fábrica da Douglas em Long Beach, na Califórnia, em 1943. Muitas mulheres trabalharam nos aviões porque a maioria dos homens estava alistada na guerra.

Durante a Segunda Guerra Mundial, o C-47 foi usado por muitos países para transportar tropas, carga e feridos. Foram produzidos mais de 10.000 aparelhos. Na Europa, o C-47 foi usado no Dia D para largar mais de 50.000 paraquedistas.


PH-PBA
O C-47 operado pela Dutch Dakota Association (DDA Classic Airlines) foi construído em 1943. Fez parte do 316th Troop Carrier Group no Dia D, onde voou em formação com mais 35 C-47 para largar mais de 600 paraquedistas na zona de largada «O», perto de St. Mère Église, na Normandia, em França. Durante esta missão o avião foi atingido por fogo inimigo e sofreu danos, mas conseguiu regressar a Inglaterra. Depois das reparações, o avião participou em muitas outras missões, incluindo a operação Market Garden, a tentativa dos Aliados de libertar os Países Baixos.
Em 1946, o príncipe Bernhard comprou o avião ao general Eisenhower por 50.000 dólares americanos. Um bom negócio, pensou ele, porque o aparelho só tinha 300 horas de voo. O avião, com a matrícula militar «42-100971», está registado no registo neerlandês de aviação como PH-PBA, em que PH- é o código do país dos Países Baixos e PBA é a abreviatura de «Prince Bernhard Alpha». Tornou-se o primeiro avião do governo neerlandês.

O avião manteve-se em serviço até 1975, quando foi doado ao museu Aviodrome, no aeroporto de Schiphol. Durante muito tempo, o príncipe Bernhard teve o grande desejo de restaurar o avião para voltar a voar. Depois de anos de restauro, o avião ficou pronto para voar de novo em 1998, quando a Dutch Dakota Association recebeu o direito de operar e manter o PH-PBA.

Voar num avião clássico
Uma coisa é ler sobre um pedaço da história da aviação e passear à volta dele, outra é voar nele, e é sensacional! Tive sorte, porque o meu amigo piloto Tim arranjou-me um bilhete para voar sobre os lagos da Frísia (Friese Meren) neste pedaço especial da história da aviação.



O PH-PBA está equipado com dois motores de avião Pratt & Whitney R-1830 Twin Wasp. São motores de duas filas, 14 cilindros, arrefecidos a ar, que produzem cerca de 1200 cv. Cada motor pesa cerca de 567KG e tem uma cilindrada de 30 litros. Exigem manutenção regular, que é feita pelos voluntários da DDA. São motores de êmbolos e isso hoje em dia é algo especial: distinguem-se logo pelo som!

Embora o C47-A consiga arrancar os próprios motores, o PH-PBA costuma ser arrancado com um gerador. Como a história está cheia de ironias, é um gerador elétrico de construção alemã, com motor a gasóleo da Deutz. É mesmo fixe ver esta tecnologia antiga a funcionar na perfeição; é um contraste bem-vindo com tanta da atual obsolescência programada.



Ao contrário dos aviões comerciais de passageiros modernos, o DC-3 fica em pé na plataforma com a cauda perto do chão e o cockpit no ar. É uma bela vista quando estás junto ao avião. Entra-se por trás, onde se «trepa» mais ou menos para dentro da cabina.


Dentro da cabina percebes o quanto o design (e o conforto) dos aviões modernos evoluíram. É mesmo sensacional sentares-te dentro deste museu voador. A cabina dá uma vista desimpedida para o cockpit, onde vês os pilotos.

Quando os motores arrancam, sentes o avião ganhar vida. Fumos, vibrações, sons, é tudo magnífico! A aura de 75 anos de história torna-se de repente muito palpável, é mesmo algo especial!

Durante o voo da DDA, tens liberdade para andar pela cabina e espreitar o cockpit. Os voos são normalmente pilotados por (antigos) pilotos da KLM, que falam com paixão da «Grande Velha Senhora».





Conclusão
Recomendo vivamente que reserves um voo com o pessoal fantástico da Dutch Dakota Association, para viveres a história da aviação como nenhuma outra coisa.
Foi um privilégio voar com o PH-PBA sobre os lagos da Frísia, num lindo dia de outono. Obrigado ao meu amigo Tim por esta prenda de anos incrível!